50 anos depois de Tom Wolfe
Acabara de passar cinco anos na pós-graduação, coisa que pode não significar nada para gente que não viveu uma experiência dessas e, entretanto, explica tudo. Não sei se sou capaz de dar sequer uma remota idéia do que é um curso de pós-graduação. Ninguém é. Milhões de americanos agora fazem pós-graduação, mas basta pronunciar a palavra – pós-graduação –, e qual é a imagem que vem à mente? Imagem nenhuma, nem ao menos um borrão.
(…)
De qualquer modo, no momento em que recebi meu doutorado em estudos americanos, em 1957, eu me encontrava nas garras tortuosas de uma doença do nosso tempo que leva o sofredor a sentir uma esmagadora necessidade de fazer parte do “mundo real”. Então, comecei a trabalhar para jornais.
[Tom Wolfe :: Radical chique e o novo jornalismo]
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De qualquer modo, no momento em que recebi meu doutorado em estudos americanos, em 1957, eu me encontrava nas garras tortuosas de uma doença do nosso tempo que leva o sofredor a sentir uma esmagadora necessidade de fazer parte do “mundo real”. Então, comecei a trabalhar para jornais.
[Tom Wolfe :: Radical chique e o novo jornalismo]
Ele queria perambular pelas ruas à noite, farejando fatos e pessoas interessantes, dando encontrões com furos jornalísticos e grandes reportagens, escrevendo textos através dos quais se poderia sentir o gosto e o cheiro desse mundo real.
Também sinto sede de realidade. Mas uma mesa numa sala com ar-condicionado, um monitor LCD, uma ferramenta de edição e a digestão diária de dezenas de textinhos esquemáticos amontoados em listas de notícias é – tu vê como são as coisas – suficientemente real para os meus padrões.
