Quanto à Maria Antonieta…

Saí do cinema pensando "Putz… que azar o dessa guria. Foi ser rainha da França justo quando os caras resolveram revolucionar e acabar com a mordomia do pessoal da corte!". Mmmm. Talvez não seja um pensamento muito crítico da minha parte, mas, bem, o filme também não é. E, de qualquer maneira, achei ele bem divertido. Algumas cenas feitas para serem encantadoras, e muito bem sucedidas nesse propósito.
 
Posted: May 5, 2007 Comments (1)

Ping-pong da ciência

Assisti ao filme Gatacca – exibido como parte de um debate sobre bioética na Livraria Cultura hoje pela manhã – e, em seguida, ao Ping-pong da Mongólia – em estréia no Arteplex, rivalizando com Homem-Aranha 3. Engraçado como meninos mongóis de sete anos de idade –  vivendo sem televisão, passando o dia andando a cavalo, subindo montes, implicando uns com os outros – podem ser ao mesmo tempo tão diferentes e iguais a nós, ocidentais das sociedades tecnológicas. Eu sei que não dá pra reduzir nem pra simplificar desse jeito, mas parece que o traço comum é a capacidade imaginativa: a criação de fantasias, os sonhos, os delírios (não necessariamente num mau sentido), as especulações.
 
De que se trata aquela bolinha? De que se trata a nossa própria natureza? É de ordem divina, é algo que devemos à nossa nação (o que é a nação?)? Onde está a explicação? Nos espíritos dos rios ou televisão ou na capital nacional?
 
A impressão com a qual eu saí do debate é que tudo – nesse caso, o desenvolvimento científico – meio que não passa de um jogo. Às vezes a gente erra, outras acerta, outras faz coisas que nem imaginava serem possíveis. Os rumos são geralmente inusitados. Até porque quem está jogando somos nós, pessoas imperfeitas mas cheias de criatividade e muito aptas à subversão e à reinvenção. E queremos sempre ultrapassar limites, quebrar recordes, vencer desafios – esse gostinho nos faz sempre querer ir mais pra frente, não desejar parar.
 
O que eu achei muito legal – me surpreendeu bastante, de forma bem positiva – é que o tom das pessoas que estavam lá não parecia ser o de tentar controlar os erros ou desvios desse desenvolvimento, nem de tentar pará-lo, mas aceitá-los e pensar sobre eles. Entender um pouco do jogo. E, como as almas bem intencionadas que pareceram ser, encontrar meios de que, nesse percurso, algumas regras sejam reconhecidas e respeitadas para que a “pessoa humana” – especificamente, aquela que não participa das etapas decisórias do processo –  não seja submetida a ainda mais sofrimento, sacrifício, violência e injustiça.
 
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