There’s no map and a compass wouldn’t help at all

Enquanto realizo tarefas acéfalas, mas relevantes, grandes questões me são impostas por janelas piscantes de MSN. Meus amigos me surpreendem pelo que dizem, tanto quanto me surpreendem pelo que me fazem dizer. Isso sem contar os posts que escrevem em seus blogues.
 
A partir das conversas e leituras dos últimos tempos, fico pensando que talvez tenha sido sempre assim: “jovens adultos” angustiados, tentando dar um jeito na vida enquanto ardem por dentro procurando um sentido, seja para si próprios ou para a patetice do mundo ao redor. É mais provável que não.
 
O fato é que muitos parecem andar à deriva, um pouco perturbados por não saberem exatamente onde vão parar – na verdade, sem sequer saber onde desejariam parar. Não é exatamente que lhes falte oportunidade, ou talento, ou empenho, ou sorte. Muitos têm tudo isso. O que lhes trava é o medo da aposta: escolher um caminho significa não escolher outros. Uma decisão é um rumo a ser tomado. Apesar de toda multimídia, não é possível estar nos dois lugares ao mesmo tempo: casado e solteiro; em Porto Alegre e há 12h de avião de distância; num emprego de sonhos que paga mal e num emprego de lixo que paga bem. É preciso ir para lá. Ou para cá.
 
Ou ficar parado, sem conseguir ir para lado nenhum.
 
Ou aceitar que o mais provável, hoje em dia, é ficar indo e voltando de um a outro. Depois de uma ou duas frustrações ou boas surpresas (sejam elas profissionais, afetivas ou de qualquer outra espécie), começa a cair a ficha. Acho que o mais comum tem sido viver nessa flutuação, mas sem de fato aceitá-la. Ficar pensando que não conseguimos dar um jeito na vida, que estamos perdendo tempo, que somos indecisos – ou que o mundo é instável demais.
 
Quando escrevi esse mini-post abaixo, ontem, eu estava pensando mais ou menos nisso. Enquanto a gente erra, enquanto vai de lá pra cá, enquanto espera, enquanto decide só pra depois mudar de idéia. Enquanto tudo isso acontece – ou não acontece – é a nossa vida mesmo que está acontecendo. A gente não tem como “dar um jeito na vida” apenas depois que tudo estiver decidido. A gente, querendo ou não, já está definindo o que é a nossa vida agora mesmo. E ela é essa instabilidade, essa angústia, essas expectativas, essas conversas no MSN e esses blogues. Acho que não há, realmente, um sentido. Mas, de alguma forma, é bom.
 
Posted: April 26, 2007

1 Comment »

  1. Se é que algo além do meu saldo bancário me angustia, se é que mesmo o saldo bancário me angustia, me sinto na verdade mais estupefato por não encontrar esta fórmula de sucesso (ou pelo menos tranqüilidade) que é tão natural em algumas pessoas e que já foi chamada de “saber viver”. E mais incrível: considerar pelo menos uma chance de que isto seja genético.

    Comment by Hermano — April 27, 2007 @ 12:30 am

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