300: A decepção mesmo quando não se espera nada
Fui, relutante, ao cinema, assistir ao filme 300. Eu imaginava que não seria um bom filme. Mas não esperava que fosse tão, mas tão, ruim. Foi uma das raras vezes na vida em que me arrependi profundamente de ter pago um ingresso. Ok, há momentos engraçadinhos e também aquela estética toda. As cores, a fotografia, os figurinos, os abdomens bem definidos. A cena do Oráculo, realmente linda. Fiquei pensando que ela ficaria muito bem num clipe da Björk.
Mas, por Deus, cenas em câmera lenta de sangue esguichando para todos os lados já deram o que tinham que dar. Virou clichê. Não serve nem pra chocar. Se aquelas cenas dos soldados espartanos correndo e tomando impulso, em câmera lenta, para penetrar com suas lanças os corpos dos inimigos, não serviam apenas para mostrar a firmeza das coxas saradas, eu não sei pra quê elas poderiam estar ali.
Quando o Xerxes, personagem do Santoro, vai entrando em cena pela primeira vez, num pomposo “altar móvel” (deve ter um nome praquilo, mas não sei qual é), sinceramente, tive que rir. A primeira coisa que aquilo me lembrou foi um carro alegórico que bem poderia estar no carnaval da Sapucaí, com o Santoro rebolando e sambando naquela fantasia.
Daí em diante, todo o filme começou a me soar como exatamente isso: uma noite de desfile de escolas de sambas (a ala dos Imortais, a dos Elefantes, a dos Espartanos, a dos escravos açoitados, a das dançarinas de dança do ventre…). Um desfile marcado pelo emprego de recursos tecnológicos, pela perfeição técnica, pela sincronia entre todos os elementos, pela execução impecável. Nenhuma poesia. Entediante, monótono, plástico, vazio e, mais que tudo, incapaz de provocar qualquer emoção. Como a maior parte das escolas de samba, por sinal.

Não tô a fim de ver mesmo. Obrigada por confirmar a minha não-vontade
Comment by Nena — April 23, 2007 @ 2:18 pm
Acho que vale ver o filme, mesmo sendo um filminho medíocre no conjunto, acho que o fundo ideológico merece ser criticado e combatido. Vi muita gente elogiando o filme sem levar em conta o momento político que ele foi produzido, sem criticar o que viu…
Comment by Aurélio — April 23, 2007 @ 9:50 pm