Eu X Inter
Fui ontem à noite falar sobre cibercultura diante de uma turma de alunos de primeiro semestre de Publicidade e Propaganda. Estava um pouco ansiosa, antes. Seria minha primeira experiência mais próxima a dar uma aula, de verdade. Fiquei imaginando que certamente haveria alguém pra me fazer uma pergunta inusitada e desconcertante, que me deixaria toda errada.
Às vezes – ou sempre? – me surpreendo com a minha própria ingenuidade.
Assim que entrei na sala e olhei para aquele bando de adolescentes e ouvi, de um deles, a pergunta endereçada ao professor da disciplina: “A gente tem que anotar alguma coisa?”, simplesmente relaxei. Imediatamente me lembrei dos MEUS primeiros semestres de faculdade: namoricos, fofocas, bilhetinhos, risadas e até mesmo a perfeita dissimulação nos olhos de quem está em outro planeta mas te encara com toda a seriedade do mundo. Naquela época, em raros momentos, o que era tratado em aula parecia ter alguma, por menor que fosse, relação com a minha vida ou meus interesses. Pra ser bem sincera, a verdade é que nem no Mestrado a gente passa todo o tempo só preocupado com a matéria discutida ou apresentada pelo pobre do professor.
No fim das contas, foi uma experiência bem legal. Porque eu sabia também que sempre tem uns dois ou três que de fato estão interessados no assunto, quando o assunto parece interessante. Saí de lá feliz, porque apareceram esses dois ou três. Eles fizeram perguntas, alguns em tom de desafio. E meu maior “desconcerto” não foi não saber responder. O que me surpreendeu mesmo foi a minha própria satisfação em estar ali, ouvindo questionamentos saídos dos temas que eu estava propondo. A satisfação de pensar, “pô, apesar de tudo, alguns estão mesmo pensando sobre o que eu estou dizendo, que legal”.
Quer dizer, pelo menos até o sinal tocar e – entre aqueles que ainda não estavam fazendo isso – o pessoal poder sair para chorar ou comemorar a desclassificação do Inter da Libertadores, que, na verdade, era mesmo o grande assunto da noite.
