Is mom ok?

Numa rádio meio aleatória no iTunes, hoje já devo ter escutado umas 15 vezes o comercial da Lifeline, uma empresa de atendimento médico de emergência. A proposta é equipar velhinhos com um aparelho que consiste em um botão e que deve ser usado como um colar (ou uma coleira). 24h por dia, sete dias por semana, o velhinho pode ficar tranqüilo sozinho em casa, sabendo que, caso escorregue no tapete ou tenha algum ataque de qualquer coisa, será socorrido. O interessante é que a propaganda é direcionada aos filhos dos velhinhos, que são incitados a comprar o negócio para poderem permanecer com sua consciência em paz, mesmo longe dos pais. Caso aconteça mesmo algum incidente com o portador do Lifeline, a própria empresa telefona e avisa os familiares.
 
É legal que as pessoas idosas possam mesmo viver em seus próprios lares, dignamente, como ressalta o anúncio. Só fico me perguntando o quanto “dignidade”, neste caso, é sinônimo de solidão e abandono – ainda que estes sejam monitorados tecnologicamente. Não duvido que os velhinhos encoleirados com o Lifeline tenham uma vida feliz e segura. Só fico me perguntando o quanto “felicidade”, neste caso, é sinônimo de ilusão de controle total sobre as fatalidades e acidentes da vida.
 
A propaganda dá uma impressão muito forte de uma espécie de “asilo virtual”, onde se pode depositar os idosos aos cuidados de técnicos pagos para isso sem as restrições e chatices que significariam telefonar ou visitar de vez em quando para conversar ou saber como estão as coisas. Não choca, portanto, pela novidade da idéia. Mas pelo alcance. Como se o fascínio da tecnologia em jogo, que permite que o vovô ou a vovó fiquem em casa, desculpassem o descaso. E como se uma vigilância ininterrupta remediasse aquilo que, apesar de fantasiarmos em contrário, sabemos que não pode ser evitado.
 
Posted: December 19, 2006 Comments Off