I Thought I Was Going Blind
Mesmo tendo afirmado no post abaixo que eu estava cansada de interações mediadas por computador, acabei me deparando com o Experience Project, um site no estilo rede de relacionamentos em que as pessoas compartilham os mais diversos tipos de histórias pessoais, inclusive segredos, confissões e sonhos. O perfil que é criado no momento do cadastro permite que se mantenha o anonimato, o que tende a facilitar o relato de experiências bastante íntimas, sejam elas felizes ou constrangedoras. E, claro, com potencial para muita bobagem.
Algumas das "comunidades" mais populares parecem ser "I Loved Someone That Didn’t Love Me" e "I Battle Depression", mas claro que nem tudo é desespero. Em "I Loved Someone…", por exemplo, me surpreendi ao ler o divertido depoimento de alguém que havia tido um cachorrinho de estimação quando criança, mas que este sempre lhe rosnava e mostrava os dentes quando ela tentava se aproximar para brincar ou levá-lo para passear.
Outros exemplos são "I Sang Karaoke", "I Am Human", "I Thought I Was Going Blind", "I Had My Teeth Whitened". "I Have Premonitions" ou "I Am About to Meet Someone In Real Life That I Have Only Talked to Online Tonight". É possível participar de cada grupo, clicando em "Me Too!", "Not Me", e "I Plan to". Aí, pode-se fazer comentários, enviar mensagens aos autores, dar notas às histórias, e ainda acrescentar itens às listas de livros e filmes que se considera relevantes ao tema ali tratado.
Daria para dizer que é uma espécie de Orkut, em que não interessa nem um pouco saber quem você é, ou se você conhece ou não alguém que eu conheço. A proposta é que eu possa compartilhar sentimentos e histórias com outros que tenham alguma afinidade com aquilo que eu tenho a dizer. Ou que os curiosos descubram um pouco mais sobre as infinitas possibilidades de situações por que passam outros seres humanos espalhados pelo mundo (e como eles reagem a elas). Ou que se encontre esperança a partir de outros exemplos de superação de momentos difíceis, e até mesmo algum amparo na óbvia constatação de que sempre tem gente em condição semelhante ou pior que a nossa. Sem contar a inevitável conclusão a que se chega depois de um tempo circulando pelos relatos: as experiências são praticamente sempre as mesmas com todo mundo, o que as torna únicas para cada um de nós é estarmos no papel de protagonistas.
