Essa eu dedico pro moço charmoso ali na 1a fila

Peço licença aos demais. Sabe como é, o legal dessa coisa toda da blogosfera é que ela nos permite entrar em contato com o lúdico que existe em cada um de nós. Li esse trechinho de um panfleto e não pude evitar a brincadeira:
 
ASSIM COMO o germe de um fruto é envolvido pelo persipema, DA MESMA FORMA, o Espírito PROPRIAMENTE DITO está REVESTIDO DE UM ENVOLTÓRIO que, POR COMPARAÇÃO, PODE-SE CHAMAR de PERISPÍRITO.
 
Irresistível, néan, vai dizer?
 
Posted: October 25, 2006 Comments Off

Fortalecendo o caráter

Estou escrevendo. Especificamente, módulos de textos acadêmicos. Aí lembrei que, quando li os livros do Bauman, fiquei bastante impressionada. Eu na época alimentava um outro blogue, muito tímido. Mais que esse aqui. Escondido, secreto. Veio o meu chilique. No surto, deletei tudo. Lá, tinha textos que não eram totalmente desprezíveis, sobre as leituras que estava fazendo do Bauman. Eis que agora estou precisando escrever exatamente sobre aquilo. E poderia aproveitar alguns parágrafos. Mas não vou, porque mandei tudo pro espaço. E eu nem havia salvo nada na minha máquina. Terei que produzir tudo de novo. Coisa louca essa vida, hein. Mas não há de ser nada não. Só vim aqui fazer uma manha. Deu. Passou.
 
Posted: October 22, 2006 Comments Off

Simulacros e Simulações

Apenas mais um pensamento que não posso deixar de compartilhar: que fantástica a entrevista publicada pela Zero Hora hoje com o "físico" vítima de um sequestro-relâmpago que conseguiu abrir o porta-malas do carro e escapar. Aliás, toda a matéria ganhou uma graça que eu normalmente atribuiria às bizarrices normais que são os textos jornalísticos, mas que nesse caso desconfio ter bastante a ver com a personalidade do entrevistado. Esta, por sua vez, chega a ser quase uma caricatura das leituras sobre "sociedade midiática" que fazemos por aí. Seu Adelino parece ter passado de maneira relativamente tranqüila pela experiência por se enxergar como nas aventuras que sempre vê nos filmes, ao invés de em uma situação de verdadeiro perigo para sua vida. Se alguém estiver precisando de sugestão pra trabalho de faculdade de comunicação ou artigo acadêmico, aí está a minha.
 
Zero Hora - No que o senhor pensou quando foi pego?
Adelino Lopes Neto - Olha, tchê, em nada. Parece piada, mas essa história de assalto e essas frases que eles usam são chavões tão conhecidos que não chegam a surpreender. O que eles fizeram é o que eu esperava que fizessem: "senta aí", "fica quieto", "cala-boca".
ZH - Queriam matá-lo?
Adelino - Diziam "a gente vai te estourar". Mas é aquilo que a gente vê em tudo que é filme e que a gente sempre ouve as pessoas falarem. É tão clássico que não surpreende.
ZH - Já tinha sido assaltado?
Adelino - Nunca. O que surpreendeu foi a minha não-surpresa. Pareceu uma peça que já tinha visto, embora nunca tivesse passado por isso.
[ZH :: "Pegam a gente quando marcamos bobeira"]
 
Posted: October 18, 2006 Comments Off

Girls just wanna have fun

Olá. Enquanto não consigo fazer sentido escrevendo o que eu queria escrever de verdade no post abaixo, a vida segue. E, sabe, até que não vai nada mal. Estou conseguindo me concentrar nos estudos essa semana. Num intervalinho, por curiosidade, resolvi brincar um pouco e instalei o Thunderbird aqui. Eu gosto de computadores e coisinhas tecnológicas em geral, mas não sou assim uma obsessiva - na verdade, acho que às vezes até me falta energia pra acompanhar as novidades. Vez que outra descubro a roda e me maravilho com coisas como arquivos mp3, rss ou podcasts - geralmente uns 50 anos depois que todo mundo já cansou de brincar.
 
Bem, aí eu tava usando o esquema de rss do próprio Firefox, mas agora posso não apenas ver os títulos das coisas, como também já ir baixando automaticamente os textos lá no Thunderbird. Sensacional, não? Se, por exemplo, antes eu já nem precisava mais ver meus amigos porque podia ficar sabendo notícias deles pelos blogues, agora a coisa ficou ainda melhor: não é que simplesmente não precise mais sair de casa para visitá-los, eu não preciso nem mais visitar seus sites. O Thunderbird faz tudo pra mim. Ok, pra um monte de gente isso não é novidade, mas deixem eu me divertir com meu brinquedinho.
 
O que é útil mesmo nisso e que tá me deixando faceira é a possibilidade de assinar os feeds dos sites de notícias que eu gosto de ler. Normalmente eu fico com preguiça ou esqueço de conferir todos os dias, mas desse jeito os textos vêm até mim e eu consigo acompanhar melhor. Foi assim que hoje de manhã eu li uma nova coluna da Wired com a qual rolei de rir. O autor resolve se render ao MySpace e comenta o processo de cadastro, fazendo parecer realmente a coisa mais bizarra do mundo. E, se pararmos pra pensar, é mesmo.
 
Clicking through, I find I already have a friend named Tom. He works for MySpace and he’s willing to answer questions as long as I’ve read the FAQ first. I can’t say that I know what makes someone a true friend, but I’d say one of the major qualifications is that they’re willing to answer questions without making you read a FAQ.
[Wired :: MySpace Avoidance Fails Miserably]
 
No trecho acima, ele tinha acabado de reclamar que, mal tendo preenchido alguns dados básicos, já era incitado a procurar novos amigos. Ele se recusa a fazer isso, mas mesmo assim aparece o "Tom". Lendo isso, fiquei mais uma vez com a sensação de que exista um fantasma do clima "amigo virtual não é amigo" rondando a máquina. É um texto divertido. Leiam.
 
No mais, fiquei também sabendo que uma das "habitantes" do projeto Biosfera 2 está lançando um livro sobre a experiência; que foi construída a menor mão robótica do mundo; que a evolução humana pode dividir a espécie em duas; que os britânicos estão fazendo um blogue gigante com o objetivo de as futuras gerações poderem conferir todas as aporrinhações cotidianas do início do milênio e por aí vai. E, sim, juro que estou estudando também.
 
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Life is long and it’s tremendous

Batizei este blog como Death to Everyone porque assim se chama uma das minhas músicas preferidas entre todas do universo que eu já ouvi. Ela é do Will Oldham e, apesar de ter esse nome que para alguns pode parecer sombrio, tem a capacidade de me deixar num estado de total contentamento e encanto diante da vida. Suponho que se dê o mesmo com a maioria de vocês que também já pararam para escutá-la e deixaram-se tomar por ela (quem ainda não o fez, por favor, baixe o mp3 em algum lugar e leia a letra completa aqui).
 
Pensando agora, porém, vejo que a escolha deste "tema" para o blogue era mais uma espécie de puxão de orelha meu em mim mesma, um recado meu que me fizesse lembrar dessa emoção específica, antítese do meu estado de espírito daquele momento. Eu me sentia de certa maneira morta, acabada. O que, me parece, torna impossível contemplar a perspectiva do fim e, a partir disso, aproveitar algum instante presente ou experimentá-lo com qualquer tipo de satisfação. Sentindo-me no fim, tudo parecia perdido, não havia nada além de sofrimento intercalado com apatia. Mentira, exagero. Se não houvesse nada mesmo, acho que nenhuma parte de mim teria buscado esta música.
 
Uma série de pensamentos, conversas e leiturinhas essa semana tangenciaram o tema da morte e me fizeram voltar a pensar sobre isso, e reflexivamente, enchi de novos significados tanto o fato de eu ter dado este nome ao blog como a minha vida nos últimos meses. Sabe essas horas em que uma redinha de coisas se forma e praticamente todos os eventos e idéias parecem estar conectados? Talvez seja parte do processo de insight, do qual eu falava em outro post. Ou pelo menos de um, que daqui a pouco dá espaço pra outro.
 
O fato é que, bah, que felicidade são esses momentinhos em que parece que tudo se ilumina. E, nossa, como é bom poder voltar a experimentar essa música desse jeito de novo. Estou ainda "elaborando" isso tudo. Depois comento mais detalhadamente esses acontecimentos e compartilho as idéias que estão emergindo deles. São divertidas.
 
Posted: October 15, 2006 Comments Off

Feriado

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…
 
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
 
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
 
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
 
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

[Fernando Pessoa]
 
Posted: October 12, 2006 Comments Off

I’m not the only one

Back in Iowa, Henderson is enjoying spending more face-to-face time with his friends and less with his computer. He says his decision to quit MySpace and Facebook was a good one.
"I’m not sacrificing friends," he says, "because if a picture, some basic information about their life and a web page is all my friendship has become, then there was nothing to sacrifice to begin with."

[Wired :: Some Tech-Gen Youth Go Offline]
 
Essa matéria da Wired explora novamente o tema, recorrente nos meus pensamentos e em algumas conversas que tenho tido por aí. E parece que há mesmo uma tendência entre os jovens super conectados a encherem o saco de seus computadores e buscarem mais encontros presenciais com seus amigos. Aparentemente, depois de uma febre de MSN e afins e de sites de redes de relacionamentos (até mesmo mensagens de texto por celular são alvo de críticas!), as pessoas estão se dando conta de que não dá pra ficar só nisso. Claro que três ou quatro indivíduos não chegam a constituir um movimento significativo, mas ainda assim chama a atenção que algum movimento exista. Achei interessante que, em certo ponto do artigo, alguém menciona o uso excessivo desse tipo de tecnologia como sinal da dificuldade que este geração tem de lidar com a frustração: é mais fácil dar ou levar um fora por mensagens de texto do que dizer/ouvir um "não" cara-a-cara.
 
Não estou querendo defender uma dissertação com esse post - até porque tem uma "lá fora" me esperando - e sei que há muito mais sutilezas e pontos a se considerar dentro desse debate. O óbvio é que continua valendo o que já valia pros velhos gregos: é preciso saber medir as coisas, e a medida não é igual pra todos. Abrir mão de todas as ferramentas e integrar-se a um movimento neo-ludita qualquer me parece estupidez. Da mesma forma que me soa triste viver em função das ferramentas, jogando pra um segundo plano as amizades às quais elas deveriam servir.
 
Posted: October 11, 2006 Comments Off

I Thought I Was Going Blind

Mesmo tendo afirmado no post abaixo que eu estava cansada de interações mediadas por computador, acabei me deparando com o Experience Project, um site no estilo rede de relacionamentos em que as pessoas compartilham os mais diversos tipos de histórias pessoais, inclusive segredos, confissões e sonhos. O perfil que é criado no momento do cadastro permite que se mantenha o anonimato, o que tende a facilitar o relato de experiências bastante íntimas, sejam elas felizes ou constrangedoras. E, claro, com potencial para muita bobagem.
 
Algumas das "comunidades" mais populares parecem ser "I Loved Someone That Didn’t Love Me" e "I Battle Depression", mas claro que nem tudo é desespero. Em "I Loved Someone…", por exemplo, me surpreendi ao ler o divertido depoimento de alguém que havia tido um cachorrinho de estimação quando criança, mas que este sempre lhe rosnava e mostrava os dentes quando ela tentava se aproximar para brincar ou levá-lo para passear.
 
Outros exemplos são "I Sang Karaoke", "I Am Human", "I Thought I Was Going Blind", "I Had My Teeth Whitened". "I Have Premonitions" ou "I Am About to Meet Someone In Real Life That I Have Only Talked to Online Tonight". É possível participar de cada grupo, clicando em "Me Too!", "Not Me", e "I Plan to". Aí, pode-se fazer comentários, enviar mensagens aos autores, dar notas às histórias, e ainda acrescentar itens às listas de livros e filmes que se considera relevantes ao tema ali tratado.
 
Daria para dizer que é uma espécie de Orkut, em que não interessa nem um pouco saber quem você é, ou se você conhece ou não alguém que eu conheço. A proposta é que eu possa compartilhar sentimentos e histórias com outros que tenham alguma afinidade com aquilo que eu tenho a dizer. Ou que os curiosos descubram um pouco mais sobre as infinitas possibilidades de situações por que passam outros seres humanos espalhados pelo mundo (e como eles reagem a elas). Ou que se encontre esperança a partir de outros exemplos de superação de momentos difíceis, e até mesmo algum amparo na óbvia constatação de que sempre tem gente em condição semelhante ou pior que a nossa. Sem contar a inevitável conclusão a que se chega depois de um tempo circulando pelos relatos: as experiências são praticamente sempre as mesmas com todo mundo, o que as torna únicas para cada um de nós é estarmos no papel de protagonistas.
 
Posted: October 9, 2006 Comments Off

Je sais que tu sais que je ne sais plus qui je suis

Não ando com muito saco para computador. Por outro lado, tenho sentido saudade, muita saudade, de alguns amigos que eu não vejo há tempo. E o msn está acabando com a minha paciência. Quero ver, abraçar, falar bobagens, trocar idéias, compartilhar risadas, e não emoticons na tela. Eu sairia do Orkut agora, se eu já não tivesse feito isso há alguns meses. Estou cansada de blogs e emails. De interagir com textos; de ser um texto respondendo a outros. E quem me conhece pode imaginar o quanto eu mesma estou me estranhando por sentir isso. É mesmo esquisito, mas minha vontade é sair correndo dessa cadeira, dessa mesa, do meio desses livros, controles remotos, links, cds, dvds, arquivos de word e revistas. Daqui a um tempo acho que vou ler esse post e pensar que estava tomada por um alien enquanto escrevia, mas tenho que dizer: preciso ver gente, conviver com pessoas!
 
 
Continuei escrevendo sobre o quanto estou achando que “interação mediada por computador” é uma furada, a constituição do eu a partir da relação com o outro, e mais outros temas no estilo “estou de óculos, faço comentários pretensamente inteligentes”. Aí achei melhor deixarmos para conversar sobre isso quando nos encontrarmos.
 
 
Agora vou desligar isso aqui e voltar a cuidar da vida, que é o que tenho feito e tem sido muito bom.
 
Posted: October 6, 2006 Comments Off

Otimismo

Hoje descobri que o mundo é melhor do que eu via antes. Estou de óculos!

Posted: October 4, 2006 Comments (0)